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    PAGANINI VIVO!   

    Paganini! O formidável violinista. Arrancava suspiros e aplausos enfurecidos das mais ecléticas, exóticas e refinadas platéias. Quando Paganini entrava em ação tudo se concentrava nele. Era o centro do espetáculo, executando peças no seu violino de maneira voraz, Pagnini gostava de ficar escondido entre a orquestra e aparecer como que do nada roubando as atenções, encarava a platéia até essa ficar afoita e quando começava a tocar os espectadores ficavam embriagados com seu talento e carisma. Era comum Paganini acabar com apenas uma ou duas cordas em seu violino e a platéia delirando estupefata.
    Os críticos musicais contemporâneos à Paganini observavam uma técnica formidável. Ele era uma figura inominável, Franz Liszt escreve no obituário de Paganini “o mundo admirado o olhava como se fosse um ser superior. O arrebatamento que provocava era tão inabitual, a mágica que realizava com fantasia dos ouvintes era tão poderosa, que eles não podiam se satisfazer com explicações naturais.”; era enquadrado em outra categoria de seres, os abençoados divinamente com dons inexplicáveis. Os ecos da figura de Paganini deixaram marcas irremediáveis na formação da cultura e da identidade individual do homem nos séculos seguintes!
    Paganini transcendia o texto musical chamando para si a atenção na execução das peças. Críticos musicais contemporâneos diziam que apesar da técnica Paganini nada tinha de magistral a não ser sua própria presença. Ele transformou a execução de obras musicais em suas exibições prodigiosas! Foi o primeiro rei do Pop! De um modo aristocrático e refinado, foi a primeira imagem cultuada com um fim em si mesma, a não ser talvez por Wilkes na política Londrina algum tempos antes. Mas Paganini foi bombasticamente superior em importância.
    A partir de Wilkes e Paganini a personalidade começa a se confundir com a vida pública. O homem é provado ou crível pelo que aparenta e não pelo que é. Uma interminável onda desprovida de conteúdo jorra na vida pública a partir desse conceito. É o mundo do entretenimento eterno e supérfluo. Da atuação pública com fim em si mesma. É o esfacelamento das interações sociais concretas e a passagem para a observação silenciosa da vida passageira. A primeva das sociedade intimistas. O inicio do eufórico mundo Pop.



- Postado por: Rodrigo L. Mingori às 13h31
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