Depois, até às horas de dormir, que nunca passavam das nove, ele tomava a sua guitarra e ia para defronte da porta, junto com a mulher, dedilhar os fados da sua terra. Era nesses momentos que dava plena expansão às saudades da pátria, com aquelas cantigas melancólicas em que a sua alma de desterrado voava das zonas abrasadas da América para as aldeias tristes da sua infância.
E o canto daquela guitarra estrangeira era um lamento choroso e dolorido, eram vozes magoadas, mais tristes do que uma oração em alto mar, quando a tempestade agita as negras asas homicidas, e as gaivotas doidejam assanhadas, cortando a treva com os seus gemidos pressagos, tontas como se estivessem fechadas dentro de uma abóbada de chumbo
Techo extraido de “O Cortiço”de Aluísio de Azevedo.
Nunca acabe sua arte
Pois assim que acabares,
Ela não te pertencerá mais.
Ou imole seu egoísmo
Atacando a pureza de suas idéias
E deixe de invocar o direito sobre o que eras teu.
A poesia é humana
Sacrifique-se por ela.
Coloque vossa mente em seu beneficio.
Entregue vosso corpo a ela.
Só assim serás eterno nos outros.
Donos teus.
Do que sentias em vida.
Que não vos pertence mais.
Donos da tua eternidade;
Do teu nome;
Da tua memória.
Cultive a arte em você
E não deixe mais que rastros,
Migalhas,
De seu pensamento.
Caso contrário.
Seu nome será como uma rameira,
Usado.
Terás na eternidade
Tua idéia travestida em mentes quaisquer
Que o usarão.
Justificarão seus atos em ti.
E tu?
Não poderás replicar
Ficarás inerte,
Impotente.
Contra os usurpadores de tua subjetividade.
Boçais vivem e morrem ignotos.
E assim permanecem.
Puros.
O catedrático, meretriz de seus pensamentos
Será esculachado,
Usado.