CAUSAS E CONSEQÜÊNCIAS
Por mais estranho que pareça, no começo foi uma opção lúcida. Sabe aquelas coisas que a gente escolhe livremente, como se fosse sabor em pizza. Alguns falam que somos levados a ser assim; falam que existem causas, fatores. No meu caso foi escolha, livre e deliberada.
Ai você me pergunta: como alguém escolhe, um dia, ser maluco? Parece gozado. E é! Respondo-te, sinceramente, não sei! Já lhe disse escolhi ser assim, pura e simplesmente. Essa loucura é minha escolha mais lúcida até hoje. Uma coisa natural que aconteceu e ponto, sem causa.
Não pense você que eu ando por ai comendo merda, ou dinheiro. Sou um louco mais sutil. Achei atraente o status de maluco! É uma das possibilidades que nos são apresentadas hoje, junto com ferreiro, carpinteiro, prisioneiro...
No principio era algo leve. Pensei: por que usar uma camisa só? Saia de casa com cinco, no mínimo! Uma por cima da outra. Isso chamou a atenção de amigos mais próximos, despertou um pouco de curiosidade alheia. Nada muito importante. Tem nego ai metido em terno em pleno sol 40 graus. A idéia era estranha, mas de resto, ninguém dava muita bola.
Depois foi algo mais inusitado: “e se ao invés de andar eu saísse por ai pulando! Como um canguru!” Pois nem acabei de pensar e já estava lá divertidamente, intrépido pulando e pulando. Isso sim foi um tanto estranho! Todos começaram a me olhar de canto de olho, cochichavam, riam, se preocupavam, e, no entanto eu lá, lépido, fortalecendo minhas pernas.
Mas isso não acabaria bem! Vocês devem imaginar. De repente o professor começa a pular ao invés de andar. Meus amigos mais chegados, logo no segundo dia de “loucura pulada” ligaram para um psicólogo. Me indicaram-no, achei interessante. Fui. O psicólogo me encaminhou ao psiquiatra. Assim passei alguns dias, estava de saco cheio de salinhas de esperas, identificar objetos amórficos, contar minha vida, entre divãs e regressões.
Enlouqueci!
Dimi diz: Eis a psicanálise que não compreende a existência