FÚRIA INSANA!
Constantemente penso, cá com meus botões, na validade da democracia. Até que ponto um estado consegue ser democrático, será mesmo verdadeira a premissa do povo no poder? Por vezes já conjurei infâmias maquiavélicas do tipo: a democracia nada mais é que uma aristocracia com o “aval” da população.
Alguns partidos – cartéis democráticos – esqueceram a tempos suas ideologias. Largaram o embasamento, abandonaram uma tentativa de práxis, tiraram a camisa e desceram pra briga! Luta incansável que me lembra o homo homini lupus de Hobbes. Associações falidas, ausência de força comum, nada é injusto, guerra eterna. Cicatrizando a incongruência usam do famigerado “jeitinho brasileiro” e o alzheimer crônico da sociedade brasileira para perpetuarem a impunidade. Salvo exceções, que convenhamos, sempre existem.
A cultura ocidental constrói o Estado como aparelho etnocida, portanto culturalmente anti-democrático. A mídia e o imediatismo da informação convergem para dar unicidade ao pensamento e a para cultura, conduzindo assim uma sociedade acritica.
A democracia as vezes parece figurar como aparato que redime a alma dos políticos, concedendo o aval do público na hora do voto, mas como todo mundo percebe, indiferente pro lado que se atire, acerta-se sempre o mesmo alvo. Mudam-se os anéis, mas as mãos são sempre as mesmas.
Cenários assim são propícios para instalação de regimes como a sofocracia de Aristóteles ou a Utopia de Thomas More (mas sem escravos, por favor). O sapateiro cuida de seus sapatos e os governantes cuidam de governar. Ainda mais com o processo de super-especialização da sociedade e das ciências. O organismo social de Durkheim, que com um pouco de ordem e progresso tudo funciona.
Ai está meu lado populista.
Sei que isso que escrevi segue uma lógica pífia, irracional e de senso comum, mas é um desabafo nos moldes do título. Todavia, sempre, alguma coisinha faz sentido.