Considerações sobre os modos de produção e ideologias econômicas
Não posso abster-me em comentar certas situações vividas no seio de uma sociedade de classe média, principalmente em ambientes acadêmicos, onde a presença de ideologias Marxistas é acentuada.
De forma simples e direta: percebo frequentemente idéias comunistas apregoadas em alto e bom som por todos os lados, todavia algumas com pouca base e realismo. Um dos pontos que me leva a pensar isso é a questão da produção e da tecnologia. Grande parte do avanço tecnológico disponível hoje é fruto da livre concorrência liberal e dos incentivos propostos pelo capital (entre outros tantos fatores). Esse avanço é questionado por diversas pessoas, indagando os custos (ecológicos principalmente) de tal beneficio.
Não cabe aqui discordar a credibilidade de tais contrapontos, nem atenuar os graves problemas que podem surgir a longo prazo mantendo-se certos modelos de produção inconseqüentes.
Entretanto penso ser surreal a idéia proposta por alguns como solução. Penso ser totalmente inviável a sustentação de toda população terrestre, de um país inteiro, ou mesmo de grandes concentrações demográficas somente com a produção simples de bens primários, como a agricultura familiar ou de auto-subsistência. Essas podem ser saídas em pequena escala, visto que um núcleo familiar subsiste longe itens tecnológicos ou não tem necessidade do consumo de bens especiais. Porém, a subversão do sistema para uma produtividade baixa e visando a auto-sustentação, é inviável para manter todos os mecanismos essenciais para sobrevivência do estado. Algumas conseqüências seriam, o grande impacto econômico e uma possível falta de produtos em regiões menos produtivas, as quais a direta ou indiretamente a tecnologia garante o acesso aos bens primários necessários de consumo.
A grandeza, multiplicidade, variedade de necessidades da sociedade hoje impossibilita qualquer tipo de regressão no modo de produção, uma alteração dessa magnitude acredito que não chegaria a contemplar um equilíbrio socioeconômico aprazível como se imagina, justamente pelo fato de promover certos retrocessos econômicos. Penso também baseado em tais idéias, que a justificativa de justiça social torna-se pífia perante os problemas gerados com tal atitude político econômica.