HOBBES E O ESTADO-LEVIATÃ
Thomas Hobbes, século XVII. Neoliberalismo, século XXI. Só pra esclarecer, e percebermos a dicotomia cronológica. Vejam! Corrija-me se estiver errado: O Leviatã! Monstro bíblico cuja força não se iguala em toda superfície terrestre, também o título da obra de um dos mais cultos e refinados homens, Thomas Hobbes. Thomas Hobbes, no século XVII, escreve o Leviatã em favor ao absolutismo dos Stuarts que acabavam de destronar os Crowel, ceifando a cabeça do rei da Inglaterra!
Este homem brilhante, para fazer a análise e projetar sua configuração social, começa por analisar o homem. Discorre sobre o estado natural do homem. E esse, estranhamente se confunde com o atual neoliberalismo. Quando penso nas estranhas diferenças me dá calafrios! Resumo: O estado natural do homem é expresso em sua célebre frase, “Homo homini lupus”, o homem é o lobo do homem, ou seja. Os homens buscam a felicidade, esta se resume na freqüente realização de seus objetivos. Para manter uma freqüente realização de seus objetivos o homem precisa, talvez da ciência, talvez riquezas, etc. Essas são formas de poder. Então a felicidade se resume em busca de poder, para assim realizar seus desejos. Tudo parte do movimento! O movimento de gostar – ou odiar – algo é o que dá impulso a tudo. Para tanto, cada homem é concorrente de seu próximo. Os sonhos individuais se colocam ao lado de seus inimigos. No estado natural o homem é constantemente inimigo do homem (homo homini lupus). Então ocorre a guerra eterna. Nessa guerra não existe injustiça, pois veja, onde não há poder comum (pois todos são inimigos e individualistas), não há lei, onde não há lei não há justiça ou injustiça, sendo que o bem ou o mal, só tem significado a quem os emprega. Por fim o homem, para ter segurança, tanto por medo da morte, como por conveniência, firma um tratado social, ao qual ele rejeita seu direito ao todo, para ter segurança e paz. Assim se cria o estado-Leviatã, que é o acordo firmado por todos, quais abdicam seus desejos em favor de um, com poder de regular todos e garantir a ordem.
Nessa pequena síntese percebemos, sem muitos rodeios, conceitos neoliberais como: o estado mínimo, a liberdade da iniciativa privada, o consumismo, a necessidade da força coerciva para manutenção pública, a jurisprudência, o estado garantindo o bem privado. A base do capitalismo, do atual neoliberalismo e até com traços positivistas.