A POLÍTICA MÍTICA
Misticismo eu diria. Existem muitos conceitos míticos hoje na política, sobretudo na política de cidades pequenas. Mas recentemente um fato me chamou atenção a nível nacional. Um plebiscito popular sobre uma re-estatização! OK, até ai não tem nada, mas ninguém parou pra perguntar e analisar os fatos.
Bom, exemplificando um pouco minha primeira oração sobre o mito (oração sobre o mito, veja bem, hehehe), a política nas cidades pequenas, ou melhor, a política de pequeno porte, que por muitas vezes não se reduz somente a pequenos centros, tem uma configuração no imaginário popular um tanto, diria estranha. Tal política é reduzida a símbolos. Lembrando que não são todos os casos, e nem com todos os partidos. Julgo eu, que essa desfiguração da importância da política em si, e de ideologias políticas partidárias, vem em conseqüência a uma falta de informação sobre a própria história dos partidos, suas antigas relações de poder e com o poder. Por exemplo, o que o PP tem de militar hoje?! Não digo que deveria ser militar. Panta rhei (tudo flui) já dizia Eráclito. Porém agora, não só com o PP, temos partidos figurativos, que não tem base teórica e aparentemente se resumem no nome de seu maior representante.
Já a respeito desse “plebiscito”, alguém parou pra pensar quem o organizou? Se possível gostaria que alguém se acusasse, facilita o diálogo! Isso pode ser desinformação minha, entretanto analisaremos os fatos. O que um plebiscito não-governamental, com a maior cara de PT, mas que “também critica o atual governo” segundo petista de SMO, cheio de segundas intenções, invocando os sentimentos mais altruístas e nacionalistas resolve? Além de fazer número para alguém em ano de eleição! E mostrar a “força da população”, claro, dirigida e intencionada por alguém. Que tipo de veracidade se encontrava ali? Começando por questões, mais mesquinhas diria, do tipo: tinha alguma identificação para diferenciar os votantes? Ou quem preenchesse mais votinhos ganhava uma foice, um martelo e bolsa família por um ano?
Agora deixemos de lado preocupações pequenas e vamos falar sério. Uma empresa da capacidade da Vale do Rio Doce é mais benéfica para o estado e para a sociedade se for gerida pela iniciativa privada seguindo conceitos neoliberais, isso é fato e não achismo! Depois de sua privatização ela gerou muito mais empregos (veja bem, gerou mais empregos, e isso é papel dos cabides do estado), sua produção aumentou e suas áreas de extração se expandiram. Começou a pagar os impostos que antes não pagava, exatamente por ser de propriedade do estado, além de incentivar investimentos estrangeiros.
Outra, re-estatizar a vale para que ela volte para as mãos do povo! Que povo?! Alguém aqui se sente no controle dos correios, por exemplo? Assisti o vídeo que fazia a cabeça, digo, a campanha para esse plebiscito e fiquei chocado. O retrato da utopia! Para resumir o que acho, atravessar o socialismo, em um país de terceiro mundo, num mar neoliberal é abrir a concordata nacional. Hipoteticamente uma re-estatização não é impossível, mas no atual contexto brasileiro seria coisa de maluco! E mais, um plebiscito meia-boca não resolveria essa questão. Isso é o que chamamos de intriga da situação.